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O ARLEQUIM PORTUGUÊS: VARIEDADES, OPINIÕES, ALTERAÇÕES, E OUTRAS CONSIDERAÇÕES

7 de Setembro de 2010

A vivência em Democracia baseia-se em dois requisitos: a liberdade de opinião e a existência de uma autoridade que tome decisões. Sem a primeira, não há possibilidade de melhorar, sem a segunda entra-se num caos que nada decide, nada resolve. Infelizmente, é que o que está a assistir-se um pouco por todo o lado.

Vem isto a propósito das opiniões que se ouvem sobre o Arlequim Português.

De todos os entendidos, criadores, curiosos, opinativos, surgem os que, à partida, por não gostarem da raça ou, (porque não dizê-lo?) por inveja de não terem sido capazes de fazer o mesmo, caem no ridículo da crítica inconsequente. Dizem mal por tudo e por nada quando deviam limitar-se a criar as raças de que gostam.

Noutro plano, respeitável e produtivo, situam-se os amantes do Arlequim que, mercê da sua experiência, gosto ou orientação, emitem opiniões mais ou menos justas e proveitosas e que, por minha parte, tenho considerado e ouvido com o respeito que merecem. Sempre, desde o início, ouvi estas opiniões, quer pessoalmente com cada criador, quer em simpósios, reuniões e colóquios. Sou um ouvidor atento, ou não fosse com amor que criei a raça. Com júbilo, sou convidado para emitir as minhas opiniões, sobretudo sobre propostas que fazem orientar a criação e o futuro do Arlequim.

Entre as opiniões mais importantes, algumas foram consideradas e a prova da busca de um critério justo está à vista nas pequenas mas importantes adaptações a que o standard foi sujeito.

Não podemos esquecer que tais opiniões podem ter origem na prática da criação, que é um mestre só por si; estas são as opiniões dos criadores. Podem ter origem nas Leis internacionais da COM e da OMJ, constituindo as opiniões dos Juízes e dos representantes de Portugal junto daqueles organismos. Podem, ainda, ter origem no ideal traçado no início da criação do Arlequim e de que me considero o principal responsável. Conclui-se daqui que as opiniões, por terem origens variadas, têm, forçosamente, de serem umas mais aceitáveis, outras menos. Mas todas elas devem ser seleccionadas tendo em vista o bem do nosso canário.

O conceito de que se quer resguardar o futuro é muito importante, desde que não se destrua o presente. Ora o Arlequim é uma raça muito recente, a necessitar de se afirmar tal qual é. Somos muito inventivos e não descansamos enquanto não alteramos o que está feito. Ora o Arlequim tem um estatuto, é uma ave lindíssima, criada com paixão por muitos portugueses e no estrangeiro.

Vem isto a propósito da intenção de criar sub-classes no Arlequim.

Os boletins de inscrição das várias raças de canários de Porte indicam Classes mas não sub-classes. Por outro lado, ninguém se encosta a uma parede pintada de fresco. Vamos, por isso, trabalhar no sentido de deixar secar a tinta, consolidando as características actuais do Arlequim.

Assim, já fui abordado para que o desenho da poupa fosse modificado para oval. Não posso concordar com esta opinião. O formato da poupa é uma das características importantes do nosso canário que o diferencia de outras raças, nomeadamente do Poupa Alemão. Siga-se o ensinamento dos criadores ingleses que pegaram no Poupa Alemão e, à custa de arredondarem a cabeça do consort, atingiram o volume e a forma do Crest e da Gloster. Por isso é que o standard do Arlequim Par exige uma cabeça fina à frente ligeiramente alargada atrás. É preciso trabalhar? Sem dúvida.

Outra opinião que me parece merecer reflexão é a criação de sub-classes relacionadas com a exigência de as aves se apresentarem equilibradamente variegadas. Claro que todos sabemos que, numa ninhada, podem surgir aves mais escuras e aves mais claras. Mas surgem também aves equilibradamente variegadas. O que fazer das que são claras ou escuras? A resposta é simples: o mesmo que os criadores de Glosteres, Yorkshires ou Crestes fazem à grande maioria dos seus pássaros. Em cada Concurso ou Campeonato, só há um campeão destas raças. É justo que um Arlequim equlibradamente variegado ganhe. Ora temos de obedecer a um standard, caso contrário, entramos na anarquia. É por este motivo que houve o cuidado de apresentar para aprovação da COM, no Mundial, só pássaros da linha clássica, embora haja Arlequins castanhos e ágata-opal. Evitou-se, com bom senso, a confusão. Nunca ouvi um criador português a querer que os Glosteres tivessem a poupa de outro formato ou que os Frisados deixassem de ter aletas. Só somos críticos para nós próprios.

Acresce que o número de pássaros claros ou pássaros escuros vai decrescendo à medida que são irradiados das criações. Os resultados imediatos não são bons conselheiros. Tenho insistido na importância de cultivar linhas de criação. Acreditem que, se não tenho trabalhado com base em linhas de criação, o Arlequim não existia.

Outros criadores têm colocado a questão do mosaico. É um assunto pertinente mas que só pode ser abordado para esclarecer os jovens criadores. Na verdade, se queremos uma ave com as cores bem distribuídas só pode ser mosaico. Isto porque não existe um canário que tenha o branco e o vermelho e que não seja mosaico. Está prevista a introdução desta palavra para elucidar os jovens criadores e deixarem de apresentar aves com fundo todo vermelho que, além de não terem as cores equilibradamente distribuídas, nunca apresentam a beleza de um Arlequim com o branco bem patente. Não podemos impedir os criadores de apresentarem tais aves mas lembro-me de um célebre criador que dizia que uma ave mal classificada não diz mal de si mas do criador.

Há também quem entenda que o variegado das patas e do bico é difícil de obter e devia ser retirado do standard. Não é exigido mas, perante duas aves, a que tiver estas características é merecedora de maior pontuação. Por último, já fui abordado por causa do tamanho. Ora o Arlequim, sendo um pássaro de Porte, elegante, quer-se também que seja vivo, saltando no poleiro, coisa que os pássaros de grande porte perdem, tornando-se tristes e pesadões.

Do que fica dito, se fôssemos a dar voz a todas as sugestões, o Arlequim seria modificado em todas as suas características: no tamanho, no formato da poupa, no variegado das patas e bico, no equilibrado da distribuição das cores, enfim, um pássaro completamente diferente. É caso para dizer: porque não dão origem a outra raça? É o mesmo que dizer a um homem alto, de cabelo louro que não deve ser assim, mas deve ser baixo e de cabelo preto.

Por isso, caros amigos criadores, vamos ao trabalho. Criem o Arlequim apurando a raça, tal como ele é, belo, harmonioso, alegre, bom cantor e bom criador. Foi por ser assim que os criadores gostaram dele e aderiram à sua criação e ouvimos falar dele com verdadeira paixão. E não podemos desiludir centenas de criadores para fazer a vontade a um, seja porque discorda do formato da poupa, das patas ou do desenho e harmonia das cores.

Acreditem, caros Amigos, que não foi com falta de senso que se conseguiu primeiro criar a raça e depois que ela fosse aprovada. Foi percorrido todo um caminho, com a ajuda dos criadores, por vezes duro, com muitas desilusões e alegrias.

Cá ficamos à espera de mais opiniões para serem pesadas, consideradas, ouvidas, tudo no sentido de confirmarmos para todo o Mundo que existe uma raça portuguesa de canários, com características únicas.

Prof. Dr. Armando Moreno
(Presidente Honorário do C.C.A.P.)



Porto, 5 de Janeiro de 2009

O Canário Arlequim Português está a postos. Elegante no poleiro, espera decidido a justiça da sua aprovação em Itália, a coroar décadas de trabalho e dedicação, na busca da beleza que atingiu.

Neste Ano Novo, vislumbra-se a réstia de alegria que irá receber a consagração final na Exponor no Campeonato Mundial de 2010. Envolvido pelo entusiasmo e mística única entre os canaricultores portugueses, viu-se protegido e acarinhado por criadores de todo o País que aguardam ansiosamente o resultado dos julgamentos  deste Janeiro, a dar uma alegria ao sentimento de crise que se abateu sobre todos nós.

É espantoso como uma ave consegue irmanar tantos portugueses na mesma
alegria, como consegue por lado a lado os que antes se mostravam menos adeptos, como consegue criar o entusiasmo que ultrapassa o mero interesse
económico, que hoje deturpa e distorce de modo dramático o modo como as pessoas encaram a vida, transformando o prazer de amar em meia dúzia de euros. E aí estão os heróis desta conversão. Homens que vêm lutando quer pela criação do Arlequim, quer pela preocupação de estudar stams, apresentar as aves em Campeonatos, Nacionais e estrangeiros, pondo de lado os interesses pessoais, quantas vezes com sacrifício da sua própria vida profissional e pessoal. Todos sabemos quem são, representados pelo actual Presidente do Clube do Canário Arlequim Português.

Sempre atento, seguindo um plano previamente estabelecido, escolhendo
colaboradores entusiastas, resume em si a vitória desta equipa que vai levar
as aves ao Mundial.

A poucos dias do Juizo, vão com eles os nossos corações.
Boa sorte, Arlequim Português!

Prof. Dr. Armando Moreno
(Presidente Honorário do C.C.A.P.)


 
     
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